E chega finalmente o dia em que posso aqui relatar os acontecimentos da quarta-feira passada, mais concretamente do Suiça-Turquia.
Depois de tomar o comboio para Basileia, ainda parei num dos bares da estaçao para uma sande fria e insonsa, enquanto pregava os olhos na televisao para assistir ao fim do Portugal-Republica Checa. Segui para o estadio e, pelo caminho, um grupo de tres turcos procurava desesperadamente um bilhete para o jogo. Ouvi alguem murmurar umas centenas de francos e confesso que me ocorreu livrar-me do bilhete e ir compensar a sande com um farto e dispendioso jantar. Porem, como o bilhete me tinha sido oferecido, a maldita moral descongelou-me os escrupulos.
Ao passar pela segurança, vi-me obrigada a deixar cair o meu velho chapeu-de-chuva num contentor de plastico, o que me deixou bastante triste. Resistiu comigo a dias molhados durante cerca de 6 anos. Nunca um pequeno guarda-chuva me abrigou das bategas durante tanto tempo. Ainda estou, de certa forma, em estado de luto.
Ja no estadio e no meio da claque suiça, nao consegui gritar nem saltar pela Suiça. Gosto muito deste pais, mas nao exageremos. Quem conseguiu gritar e durante todo o jogo, foi uma adolescente histerica que quase me rebentava com os timpanos. Entretanto, e do outro lado da barricada, a claque turca, apesar de estar em evidente minoria, fazia tremer as fundaçoes do St. Jakob. É a cena dos paises quentes, o sangue ferve-lhes e nao ha nada a fazer.
Apesar da chuva e da ausencia do meu guarda-chuva, estive sempre abrigada pela cobertura do estadio. O que achei mesmo fixe foi a nova camara, presa por quatro fios de aço que desliza sobre o jogo e capta imagens que as outras nao captam. Choveu copiosamente durante quase toda a primeira parte. A bola, pesada e escorregadia da agua, parecia ter mente propria e os jogadores escorregavam amiude.
No final, tentei consolar os meus companheiros suiços, mas nao servi de muito.
sexta-feira, 20 de junho de 2008
Subscrever:
Enviar feedback (Atom)

Sem comentários:
Enviar um comentário